1º de Maio: momento de reflexão numa grave crise

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Os trabalhadores, do Brasil e do mundo, sempre tiveram o 1º de Maio, Dia do Trabalhador, como um dia de luta e comemoração. Este ano, em nosso país, no entanto, esse dia de folga deve ser usado sobretudo para a reflexão.

Vivemos a pior crise econômica das últimas décadas. Mais de 13 milhões de brasileiros estão desempregados e outros tantos sobrevivem subempregados, na informalidade, fora da assistência social oficial. Além disso, pesquisa recente mostrou que os poucos empregos gerados no país em 2017 foram vagas de trabalho que pagavam baixos salários.

“REFORMA” TRABALHISTA

Todo esse quadro desanimador foi agravado por uma “reforma trabalhista” que mais deveria ser chamada de “deforma” trabalhista, tal a deformação que tais medidas geraram na relação capital-trabalho no país. A Lei 13.467/2017 golpeou os trabalhadores de forma brutal. Os “6 milhões de empregos” que seriam gerados por tal “reforma”, como prometeu à época o ministro da economia Henrique Meirelles, viraram apenas mais desemprego, que passou de 12 para mais de 13 milhões sem carteira assinada em apenas cinco meses após a “reforma”.

Conclusão: não há retomada da economia à vista e as contas públicas estão em frangalhos, causadas por um governo que não consegue enxergar o óbvio: uma reforma que arrasa direitos e o emprego formal atenta não apenas contra o trabalhador, mas contra o próprio país, ao derrubar o poder de compra das famílias, e contra as próprias contas públicas, uma vez que o emprego informal fere de morte a Previdência e a queda no consumo das famílias empobrecidas também faz cair a arrecadação de impostos. No Brasil, hoje, apenas meia dúzia de bancos – e seus donos, os banqueiros – ganham muito dinheiro com a política adotada pelo governo.

O PAPEL DOS SINDICATOS

Sabendo que essa política de empobrecimento deliberado dos trabalhadores seria frontalmente combatida pelos sindicatos, o que fez este governo? Inseriu na deforma trabalhista o fim da contribuição sindical. Acenou aos assalariados com o fim do desconto obrigatório como se isso fosse uma grande vantagem. Ora, companheiros, basta fazer as contas e raciocinar.

A contribuição sindical, descontada no contracheque uma única vez no ano, representa, para quem tem salário de R$ 1.200,00 por mês, a mísera contribuição de R$ 3,33 por mês ao sistema sindical. Para o seu Sindicato, ficam 60% deste valor, ou seja, meros R$ 2 mensais. Convenhamos que é uma contribuição baixíssima em troca de você poder contar com uma entidade representativa que briga na justiça por você, que disponibiliza advogados para a categoria, que denuncia maus patrões e mobiliza os trabalhadores em busca de melhor salário e de nossos direitos.

Obviamente, você sabe, o governo federal não está sendo bonzinho ao “acabar” com a contribuição sindical obrigatória. Ele tem um objetivo que não é nada favorável aos trabalhadores. O objetivo é justamente enfraquecer os sindicatos – os únicos que poderiam se levantar contra o arraso em nossos direitos que a deforma trabalhista do governo impôs.

NÃO É HORA DE SINDICATO FRACO

É tudo parte do mesmo jogo, da mesma política de empobrecer os trabalhadores. A deforma trabalhista foi planejada e desenhada por grandes empresários que sonham com mão-de-obra barata, quase escrava. Seus capachos no Congresso Nacional a aprovaram, contra você e sua família. E agiram para exterminar os sindicatos, sua única boia de salvação nesse mar de infortúnios!

Se você sabe que a tal “reforma trabalhista” é danosa aos seus direitos e interesses e mesmo assim acha que o fim da contribuição sindical obrigatória é uma coisa boa, você não está entendendo a situação. Se estão tirando nossos direitos, sindicato fraco não é solução. Ao contrário. É hora de fortalecermos o nosso Sindicato. Você nunca precisou tanto dele quanto agora.

Portanto, companheiro(a), garanta sua contribuição sindical. E torne-se sócio do SAAERJ hoje mesmo. Acredite, você não tem tempo a perder.